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O espírito das águas

Por volta do ano 500 d.C. uma comunidade andina estava enfrentando uma grande estiagem, as plantações secaram, a comida estava escassa, e eles já estavam há muito tempo fazendo oferendas para o espírito das águas a fim de que ele lhes trouxesse a chuva. Mas comidas e presentes não estavam sendo suficientes então alguém teve a ideia de oferecer uma pessoa em sacrifício, talvez isso comovesse o espírito das águas e ele lhes mandasse a chuva de volta.

Nessa comunidade havia uma jovem que vivia deprimida e dava muito trabalho para os familiares, ela estava sempre triste, amuada, encolhida pelos cantos, e acabou sendo a escolhida pela comunidade para ser sacrificada, afinal ela pouco colaborava com os serviços necessários para que a comunidade se mantivesse. Essa entidade que eles chamavam de espirito das águas era cultuada num poço natural muito profundo e foi onde a jovem foi jogada como oferenda.

Já nos deparamos com inúmeras situações onde alguma entidade ou divindade como essa realmente se alimentava da alma das pessoas sacrificadas, mas nesse caso o espírito das águas no qual eles acreditavam não existia. A alma da jovem deprimida morreu afogada nesse poço e ali permaneceu, a princípio num estado de confusão mental acreditando ainda estar viva, mas depois assumindo o lugar da entidade a quem ela foi oferecida, tornando-se o espírito das águas.

Não sabemos se a chuva veio, mas a prática de se oferecer uma jovem em sacrifício ao espírito das águas continuou, e aquela jovem que foi sacrificada inicialmente passou a receber as oferendas humanas e a se alimentar delas. Também não sabemos por quanto tempo perdurou, mas centenas de jovens estavam presas a esse espírito das águas. Nem todas foram sacrificadas, houve muitos suicídios também, jovens que se jogaram no posso por não quererem mais viver, talvez atraídos pelo magnetismos das águas profundas do poço que exalava a energia daquela jovem deprimida.

Hoje atendemos uma moça que tem uma vida normal, estuda, faz estágio, tem namorado, é bonita, e ela mesma não acha que tem qualquer problema, sua mãe é que acha que ela tem alguma coisa que a trava, a moça é muito emotiva desde criança, e a mãe a acha um pouco triste, sem vida. Foi ao investigarmos o que havia com essa moça que nos deparamos com o espírito das águas, pois essa moça numa vida passada cometeu suicídio se jogando naquele poço.

Apesar de ter reencarnado, uma parte da consciência dessa moça ficou presa ao espírito das águas, que vivia numa região umbralina desértica, uma imensa planície arenosa, onde havia um pequeno lago. Porém, esse lago era feito de água humana, a água do lago eram os espíritos que morreram no poço e que o espírito das águas via como seus, sua propriedade, pois foram dados a ela. Os espíritos estavam misturados uns aos outros, totalmente disformes, não se identificava claramente o que era um e outro, pois parecia mesmo uma porção de água.

Essa moça que atendemos estava desdobrada caminhando para fora do lago desde que foi puxada para reencarnação há cerca de 20 anos, mas não conseguiu se desprender dos outros espíritos. Havia 958 espíritos formando esse lago, vigiados pelo espírito das águas. Havia vários outros espíritos que assim como ela já reencarnaram mas estavam presos ao lago. Nós resgatamos a moça que estávamos atendendo e todos os espíritos do lago, ela e outros encarnados foram reacoplados ao corpo físico, e o espírito do lago se manifestou pedindo eles de volta, pois ela se alimentava da energia de tristeza dos que sucumbiram no poço.

O espírito do lago não era um espírito mau que deliberadamente escravizava outros espíritos, era uma jovem deprimida que devido às circunstâncias acabou se colocando numa situação que perpetuou seu estado emocional e ela não conseguia enxergar outra forma de viver a não ser em sofrimento. Nós a obliviamos e encaminhamos para reencarnação, encerrando para ela esse ciclo de mais de 1.500 anos de sofrimento.

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Iemanjá

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