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Viagem astral

Relato de atendimento de um consulente que afirma ser médium de Umbanda há vários anos, sendo que ativamente apenas a metade desse tempo. Após um período de afastamento das atividades espirituais retornou a frequentar um centro kardecista, segundo ele com a intenção de estudar o espiritismo segundo Kardec e ainda ajudar uma amiga iniciante e um amigo recém-falecido.

Teve problemas de saúde e precisou se afastar desse centro que estava frequentando por conta de uma cirurgia. Afirma que nesse período de recuperação começou a ser "assediado" por espíritos que falavam com ele em sua mente. Segundo ele  seu "mentor" tbm lhe falava dessa maneira e o aconselhou a estudar mais o espiritismo.

Após recuperado da cirurgia informou o dirigente do centro de seu retorno às atividades, tendo sido entretanto advertido pelo mesmo que precisaria fazer uma escolha: ou deixava de receber "seu" preto-velho e trabalhava apenas com a desobsessão no centro, e recebendo esse preto-velho somente se ele tivesse alguma msg de extrema importância para o centro, ou se retiraria do centro, pois outros médiuns mais antigos não aprovavam a incorporação dessa entidade no centro kardecista.

O consulente então optou por deixar o centro espirita e prosseguiu seus estudos pela internet, em sites com conteúdos variados, e mais especificamente dedicou-se ao estudo da viagem astral, tendo inclusive feito um curso básico. Durante uma de suas aulas desse curso o consulente se viu voando, ao mesmo tempo que ouvia "instruções" em sua cabeça. Chegou em um local onde viu algo semelhante a um trailer ou kombi parado "no meio do nada", tendo sido convidado a entrar pelo morador do local, que lhe ofereceu café, mas que ele recusou.

O morador perguntou se era por conta de sua "condição" e o consulente então notou que o tal ser tinha larvas que passeavam pelo seu corpo. Ele ainda ouvia as instruções em sua cabeça mas foi tomado por uma grande insegurança. Ao mover-se para sair dali percebeu que o tal morador do local assumira a forma de uma cobra e lhe sugava o pescoço. Tentou tirar a cobra com a mão e acabou retornando ao corpo físico, sentindo um formigamento na mão, que no corpo físico estava na mesma posição que no astral, tentando tirar a cobra do pescoço. 

Mas o consulente não conseguia se mover e somente aos poucos recobrou o comando de seu organismo físico. Entretanto, não conseguia dormir pois sentia que havia mais algum espírito em seu quarto querendo se comunicar com ele. Ao sentir a aproximação desse ser seu estômago revirava e ele sentia vontade de vomitar. O consulente então pediu ajuda ao seu "guia" (o tal preto-velho) para que afastasse dele aquele espírito, sem sucesso. Pediu então ao seu santo de devoção e "chefe de cabeça", São Jorge (Ogum) e então sentiu-se melhor, sentindo muita sonolência e adormecendo em seguida .

Embora na visão do próprio consulente a proibição dele incorporar o "seu" preto-velho no centro kardecista seja um preconceito com as entidades que se apresentam com roupagem fluídica de negros e caboclos, é preciso observar que se a entidade preto-velho que ele recebe quisesse realmente auxiliá-lo em sua jornada espiritual e ele próprio, trabalhando, fazendo a caridade para quem necessita, não se apresentaria com essa forma (de preto-velho), pois saberia que iria chocar os frequentadores do tal centro e iria acabar criando atritos que fariam com que seu pupilo saísse dali e, consequentemente, não pudesse trabalhar sua mediunidade e resgatar seus débitos de vidas passadas. 

Essas entidades respeitam o grau de entendimento de cada local onde vão trabalhar e respeitam inclusive os preconceitos das pessoas. Quem quer realmente ajudar não impõe condições, muito menos uma entidade "de luz" ou algum espírito mais esclarecido.

A necessidade de trabalhar é do médium e este deve se adaptar às regras do local que está frequentando. Centro espírita ou terreiro perfeitos onde seja tudo como nós gostaríamos que fosse não existe e aceitar as regras do local faz parta da caminhada do médium, que precisa aprender a ser humilde, entre outras coisas. Em resumo, apenas por esta atitude do espírito já se conclui que não era realmente um "preto-velho" ligado à egrégora da Umbanda.

É de conhecimento comum e está escrito em vários livros sobre o assunto que muitos pretos-velhos que atuam na Umbanda tbm trabalham em centros kardecistas, sendo que nesses centros eles se apresentam com outras roupagens fluídicas, como padres, médicos, etc., formas perispirituais que estão mais de acordo com o pensamento dos frequentadores desses locais. 

Outro fator evidente é o fato do tal guia, o preto-velho, não ter aparecido quando seu pupilo estava em apuros. Alguns poderiam até objetar que ele poderia ter deixado o aprendiz passar por este apuro a título de "aprendizado", entretanto, foi pelas orientações desse tal guia que ele enveredou por estes estudos e práticas e este o estava "instruindo" até a chegada dele na tal "kombi", onde foi vampirizado.

Ao sintonizar com o consulente o encontramos em um cemitério, dentro de uma cova, cercado por vários espíritos disformes e rastejantes, que o vampirizavam. O que ele percebeu durante a viagem astral como sendo um trailer ou uma kombi na verdade era um túmulo, onde ele estava preso desde a tal viagem astral.

Quando eu disse à médium para soltá-lo, um espírito, dentre vários que estavam ali, um "malandro" metido a exu e fumando um charuto, se manifestou pela psicofonia dela e dialogamos um pouco, conforme abaixo:

- Ninguém se mete nessa banda, ele é nosso e daqui ninguém vai tirar! Ele é um dos nossos! Não se meta onde não foi chamado, vc não é bem-vindo aqui! Nós temos como mantê-lo aqui e vc não tem como fazer nada!, disse o espírito malandro;

- Aham, respondi;

- Me parece que você conhece a lei e sabe que quem deve paga de um jeito ou de outro, e sabe que por conta das dívidas que ele tem é que podemos mantê-lo aqui!

- E vc deve conhecer a lei que diz que se eu quiser e puder eu faço!

- Daqui ninguém vai tirar ele, não tem quem tire!

- Vamos ver então, quem vai me impedir?

- Eu vou impedir você, você não é ninguém e não pode nada nem em outro lugar, quanto mais aqui! Vc vai é acabar igual a ele, isso sim! Já falei que não existe quem tire ele daqui!

- Aham, respondi.

Enquanto eu conversava com o malandro metido a exu a médium paralisou um outro espírito que vigiava a cova do consulente, ele estava com os pés e mãos amarrados e vários espíritos deformados se jogavam sobre ele para sugar-lhe o fluído vital. Afastamos esses seres e o retiramos dali. A energia do local era fétida, causando extremo mal-estar na médium, enjôo, etc. E o tal malandro que deixamos falando sozinho ainda estava por ali perturbando, então deixei ele falar novamente através da médium:

- Vc acha que pode me deter? Nem vc nem ninguém!!! Acha que essa aqui tem força pra fazer alguma coisa comigo? Tolo... nem ela nem vc... e nem ninguém... disse novamente o espírito malandro;

Como paciência nunca foi o meu forte, disse a ele para ficar quieto no canto dele antes que eu lhe desse um paratequieto. Ele tentou agredir a médium no astral mas ela mesma o prendeu. Com ele preso vários outros seres rastejantes e deformados saíram de algumas covas e também tentaram atacar a médium, sendo todos contidos e presos, na verdade pareciam zumbis.

O consulente foi enganado por este ser, o malandro metido a exu, que se fez passar por seu "guia", o intuindo a estudar e tal, porque é o que se espera de um "mentor". Foi esse mesmo espírito quem direcionou o consulente para estudar e praticar viagem astral. Os espíritos que ele disse ter sentido quando voltou para o quarto na verdade eram os seres que estavam na cova com ele, pois ele não havia saído de lá até efetuarmos o atendimento. Quando se apavorou e pediu ajuda ao tal guia, que não apareceu, e depois a São Jorge (Ogum), não foi o que fez com que ele dormisse, e sim porque ele saiu dessa frequência e sua consciência passou para outra, onde o encontramos desdobrado.

Após libertarmos o consulente da cova do cemitério, vimos que ele tinha outra frequência aberta, relativa a uma vida passada onde foi bruxo. Uma das atividades do consulente naquela vida consistia justamente nisso, em desdobrar as pessoas e aprisioná-las no castelo onde morava, onde as vampirizava, sugando-lhe as energias vitais (ectoplasma).

Logo que a médium chegou no castelo ele (o consulente desdobrado como bruxo) tentou hipnotizá-la e fazê-la adormecer, para tbm aprisioná-la. Ele é gordo, tem os cabelos grisalhos desgrenhados e veste uma túnica cinza. Quando percebeu que a médium conversava comigo tentou me desdobrar e aprisionar também.

Nesse momento eu cheguei no castelo com uma supraconsciência minha, de mago, ele tentou me atacar mas eu o paralisei. Apagamos essa frequência da mente inconsciente ativa do consulente e o enviamos de volta ao corpo físico. Após isso nos dirigimos a um dos aposentos do castelo onde havia muitas pessoas desdobradas, em um tipo de transe, e as enviamos de volta aos seus corpos físicos. O castelo foi então destruído.

O tal malandro metido a exu, que já havíamos prendido no cemitério, foi o grande "guia" do consulente neste processo. São dois espíritos que já se aliaram muitas vezes para fazer o mal e nessa vida onde o consulente era bruxo o malandro era seu assistente.

As aparições como preto-velho no centro kardecista foram justamente para afastá-lo de lá, para sozinho ele o poder influenciar mais. Os estudos sobre viagem astral era porque ele queria abrir essa frequência onde o antigo comparsa era bruxo e tinha algum poder, para se beneficiar disso, vampirizando também as pessoas que o bruxo desdobrava e levava para o tal castelo.

A prisão do consulente na sepultura do cemitério, sendo vampirizado por seres disformes, era uma espécie de "ponte vibratória" para ele poder abrir a frequência de bruxo, e era possível justamente porque o consulente fazia isso naquela vida. Realmente ele podia manter o consulente ali por conta de seu karma, mas a função principal era que assim ele também rebaixava muito a frequência do consulente e isso facilitava a sintonia com aquela outra vida.

Esse foi o motivo dele conseguir dormir, ele passou sua consciência para a frequência de bruxo e parou de sentir o mal-estar, pois como bruxo ele era que fazia o mal aos outros. O malandro na verdade não tinha poder algum, por isso arrotava tanta bravata, mas foi esperto o suficiente para ativar a frequência de bruxo do consulente e se beneficiar dela.

Lógico que os efeitos na saúde do corpo físico do consulente não lhe importavam em nada pois se ele desencarnasse eles procurariam outros meios de sobreviver no astral. Percebemos que o consulente ainda tem muitas frequências abertas, extremamente negativas, relativas a vidas passadas onde ele fez o mal mas é preciso que ele se modifique, se firme no caminho de sua reforma íntima, e obtenha merecimento para se libertar delas.

Em uma dessas vidas o consulente foi novamente um bruxo, um conhecido feiticeiro na região onde morava, e enganou muitas pessoas, estando karmicamente predisposto nessa encarnação a ser enganado também, motivo pelo qual o aconselhamos a estar sempre atento, pois quem caminha procurando "atalhos" sempre acaba sendo vítima de charlatões. 

Reforma íntima não tem atalhos, cursinhos, viagens astrais, feitiços, mantras, decretos, etc, é trabalho e dedicação. Não se corrige vidas e vidas em desatino em uma semana ou um mês, é preciso enveredar no caminho do bem e ter paciência pois algumas oportunidades de resgate só nos surgem depois de muitos anos de trabalho dedicado.

O ideal é ter humildade e procurar um centro onde possa trabalhar sua mediunidade e fazer alguma coisa de útil com ela, ou seja, a caridade desinteressada no auxílio aos espíritos sofredores. O que podia ser feito pelo consulente no momento, dentro do merecimento dele, foi feito. Agora é preciso que ele faça sua parte, com trabalho, estudo e dedicação, para que obtenha merecimento e possa resgatar mais débitos de suas vidas passadas.

A mediunidade não é um dom do qual o médium pode se servir quando bem entende, ela é um karma negativo e se não for utilizada da maneira correta pode afundar mais a pessoa em dívidas (karmicamente). Entretanto, se bem utilizada pode alavancar o desenvolvimento espiritual do médium.

Muitas pessoas com mediunidade procuram caminhos alternativos, que geralmente envolvem vaidade, orgulho e dinheiro, como jogar tarot, reiki, xamanismo e outras terapias onde acabam sendo instrumentos de espíritos pouco evoluídos, perdendo uma grande oportunidade de progredir espiritualmente e aumentando seu débito cármico.

A viagem astral pode ser algo interessante mas a pessoa vai ir para onde sua energia a situa, no caso nosso consulente foi para uma cova num cemitério. A maioria que consegue alguma consciência durante a projeção fica aqui pela crosta ou cai para regiões mais densas do umbral. Outros tantos imaginam encontrar personagens famosos, mestres e outros, que não passam de espíritos mistificadores que se divertem as custas desses projetores e lhes roubam as energias.

Para finalizar, queremos deixar claro para os leitores que "mentor" tem quem atingiu algum nível espiritual acima do egoísmo medíocre e que faz alguma coisa pelos seus semelhantes, pessoas que possuem uma importância dentro da coletividade e que exerçam uma atividade que necessite de um auxílio especializado, como Chico Xavier, citando um exemplo do meio espírita.

Quando muito temos espíritos amigos de outras vidas que querem nosso bem e eventualmente conseguem nos auxiliar nos intuindo alguma coisa, em questões que não sejam parte de nossa provação kármica, o que já reduz bastante as possibilidades. Pessoas comuns que só pensam em si e em seus interesses a maior parte do tempo não possuem um mentor com dedicação exclusiva.

É preciso compreender que a Lei divina funciona perfeitamente e que a maioria das pessoas transita pela vida no "modo automático", só lembrando do tal "mentor" quando está em dificuldades ou quer alguma coisa. Para se obter algum "favor" especial é preciso que tenhamos merecimento, ou seja, que tenhamos obtido algum crédito karmico através de nossas ações que permita recebermos algo fora do roteiro.

  Muitas situações em nossa vida, por mais desagradáveis que sejam, teremos que passar e não vai ter mentor que evite isso. Lembremos que este plano é de aprendizado, principalmente pela dor, pois somos todos espíritos renitentes no mal e que vimos há várias e várias vidas agindo com egoísmo. Não basta agora eu achar que "mereço ser feliz" porque nessa vida eu "não faço mal a ninguém", pois nosso saldo kármico é negativo. Não basta apenas não fazer o mal, para avançar é preciso fazer o bem.

(Publicado originalmente no blog Apometria Universalista em 14/1/2012)

 

 

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