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  • Gelson Celistre

O preto-velho de Xangô

(Publicado originalmente no blog Apometria Universalista em 15/3/2021)


Conforme a Wikipedia, "Preto velho ou Pretos-velhos são uma linha de trabalho de entidades de umbanda. São espíritos que se apresentam sob o arquétipo de velhos africanos[1] que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. São considerados divindades purificadas.[2] Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos". O preto velho, na Umbanda, está associado aos ancestrais africanos, assim como o caboclo está associado aos índios e o baiano aos migrantes nordestinos.[3] Os Pretos velhos seriam as entidades mais conhecidas nacionalmente, mesmo por leigos que só ouviram falar destas religiões afro-brasileiras. O Preto velho é lembrado também pelo instrumento que normalmente utiliza, o cachimbo."

Essa é a teoria e nos terreiros verdadeiramente de Umbanda ou outras religiões afro-brasileiras onde esses espíritos se manifestam e que não praticam magia negra, eles dão sábios conselhos e ajudam as pessoas que se consultam com eles da melhor forma. Porém, nós revelamos o que acontece na prática no dia-a-dia e não apenas o que diz a teoria, pois nem sempre teoria e prática se mostram idênticos, e vamos comentar o caso de um preto-velho com o qual nos deparamos recentemente.

Além disso, mesmo sendo um preto-velho legítimo e que trabalhe num terreiro onde se pratica a caridade, ele continua sendo um espírito humano em evolução, sujeito a cometer erros e passionalidades, pois ser um pouco mais evoluído que a maioria não o coloca num patamar onde não possa cometer erros. Na prática encontrar um terreiro que siga os verdadeiros preceitos da Umbanda ou terreiros de outras linhas que não façam magia negra é muito difícil. O que mais encontramos é terreiros que fazem magia negra e onde as entidades até ajudam seus filhos de alguma forma, mas o preço inevitavelmente é a vampirização energética e outras situações que já comentamos em vários posts, vide a postagem Trabalhos de magia. No caso em tela o atendimento foi para uma mulher que está sendo extorquida por dois pais-de-santo e o preto-velho com o qual conversamos quer ajudar um deles. Em uma vida passada essa mulher foi um homem, um fazendeiro dono de escravos, e era um homossexual não assumido, tinha uma esposa e família, mas tinha um caso com dois homens que eram seus funcionários. E esse fazendeiro também praticava abusos e violência sexual contra os escravos da fazenda.

Esses dois homens com quem o fazendeiro mantinha relacionamento amoroso na vida atual são os dois pais-de-santo, que hoje são homossexuais, e o fazendeiro é uma mulher. O preto-velho com quem conversamos era um dos escravos daquela fazenda que foi abusado sexualmente pelo dono da fazenda. Ao contrário do que aconteceu com a maioria dos escravos esse acabou de fato morrendo velho, e quando estava muito velho, por não poder mais trabalhar e porque o dono da fazenda não queria sustentar um escravo que só dava despesa, ele foi liberto, passando a viver de trabalhos de magia e benzeduras. Ocorre que ele e vários outros escravos que eram abusados sexualmente pelo fazendeiro invocaram um espírito ancestral africano que representava para eles a justiça, que hoje identificariam como sendo da linha de Xangô, para lhes livrar da importunação sexual do fazendeiro. Esse espírito justiceiro da linha de Xangô vivia no astral da África e atendeu ao chamado dos escravos, veio para o astral do Brasil para defendê-los e acabou ficando por aqui, se vingando de todos os que faziam mal aos negros, mesmo essas pessoas como o fazendeiro já tendo reencarnado. O que esse espírito justiceiro fazia era provocar o atrito, fazer os aliados virarem inimigos, era especialista em enlouquecer as pessoas, e estava muito próximo de conseguir isso com o fazendeiro, que hoje é a mulher que atendemos, que de fato está a beira da loucura e tem dificuldade de separar a realidade da ilusão, daquilo que esses dois pais-de-santo lhe dizem, pois ela acredita em tudo que eles falam, coisas como ela estar com o odu negativo, amaldiçoada, que tem que fazer um trabalho caríssimo para evitar que alguém morra, etc. O preto-velho se apresentou com a fala mansa, dizendo que estava ajudando a mulher que estávamos atendendo, que queria o bem dela, e de fato sua energia não era ruim, mas ele queria o bem da mulher no sentido de que ela se desligasse de um dos pais-de-santo para ficar subjugada apenas pelo outro, que é o que ele tinha como seu filho na religião. Não era uma entidade deliberadamente ruim, mas queria beneficiar uma parte com quem tinha afinidade, prejudicando a outra parte, que foi seu dono e abusador em uma vida passada. Esse caso nos remete a uma situação que encontramos já inúmeras vezes, onde alguém vai procurar ajuda em algum terreiro e encontra espíritos trabalhando no local, entidades como pretos-velhos, exus, etc que são seus desafetos de vidas passadas e essas pessoas pedem um trabalho para uma determinada finalidade e a entidade faz o contrário, usa a energia da pessoa para fazer algo contra ela, que foi o caso dessa mulher. Resgatamos cerca de 1200 espíritos de escravos que ao longo de várias gerações viveram e morreram na fazenda que foi dessa mulher que atendemos, pois a fazenda ainda existia no astral com esses escravos todos ainda sendo mantidos escravizados, e o preto-velho e o justiceiro tiveram a memória apagada e foram retirados de perto da mulher.

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