O menino que tocava o sino
- Gelson Celistre

- 8 de mai.
- 4 min de leitura
A sepultura 33, quadra 2, do cemitério Nossa Senhora da Conceição em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, sepultura que tem o formato de uma torre, guarda os restos mortais de Murillo Arcanjo Araújo, um coroinha que aos 13 anos de idade caiu da torre da Igreja Matriz da cidade. O acidente ocorreu em 29 de maio de 1929, há 97 anos. Conforme matéria do Jornal de Queluz à época dos fatos, após a missa Murillo teria subido à torre da igreja junto com outro menino que era auxiliar do sacristão para ajudá-lo a dobrar o sino, pois na manhã seguinte ocorreriam os atos litúrgicos à celebração de Corpus Christi. Murillo se aproximou demais do sino, sua roupa se prendeu ao mecanismo de badalo do sino e ele foi arremessado da torre da igreja, caindo de uma altura de aproximadamente 20 metros, sofreu fratura do crânio e dos braços, e morreu quase instantaneamente. Isso é fato documentado.

A lenda que circula na cidade é a de que no dia seguinte ao sepultamento, às 17:00h, no mesmo horário em que Murillo foi sepultado, o sino da igreja tocou, e assim sucessivamente, todos os dias às 17:00h o sino tocava sozinho. Os moradores da cidade, assustados, tiveram a ideia de cercar o túmulo de Murillo com correntes, numa tentativa de prender o espírito do menino, o que parece ter surtido efeito pois o sino parou de tocar sozinho às 17:00h.
No dia 20 de abril do mês passado eu estava rolando o feed do Instagram e apareceu um reels contando essa lenda do menino que tocava o sino e eu achei interessante e mandei como mensagem para meu perfil da Apometria Universalista para não esquecer. Mas acabei esquecendo, mandei outras mensagens depois e acabei esquecendo. No dia 4 de maio minha esposa também viu um reels sobre esse menino do sino e comentou comigo que tínhamos que resgatar o espirito dele que estava preso ao túmulo. Só então em lembrei que já tinha pensado a mesma coisa duas semanas antes, mas acabei esquecendo.
Efetuamos o resgate no dia 5 de maio e o Murillo estava preso dentro do túmulo. Como acontece com muitos espíritos ele não percebeu que havia morrido e ficou preso no momento da morte, revivendo aquele momento. Ele tocava o sino, era jogado da torre, ficava inconsciente, no outro dia acordava com a lembrança de estar tocando o sino, acaba se vendo na torre, tocava o sino, era arremessado, caía, ficava inconsciente e assim sucessivamente, dia após dia, até que tiveram a ideia de cercar o túmulo com correntes, aí ele foi puxado para dentro do túmulo e ficou preso lá sem conseguir mais sair.
Mas uma corrente de metal ao redor de um túmulo pode prender um espírito? Nesse caso não é a corrente em si, mas o desejo, a intenção de várias pessoas de prender o espirito dentro do túmulo que criou um campo de força energético, a corrente é apenas a representação material desse desejo de aprisionar o espírito, foi o material que canalizou a intenção das pessoas, serviu para direcionar a energia, mas mesmo sem a corrente ele não conseguiria sair se o campo de força não fosse destruído, que foi o que fizemos. Nós destruímos o campo de força e libertamos o Murillo de seu túmulo em formato de torre.
Teria sido coincidência eu e minha esposa termos visto o mesmo reels? Poderia ser, pois esse tipo de assunto tem a ver com o trabalho espiritual que realizamos e o próprio algoritmo poderia ter sugerido o reels, mas nossa equipe nos informou que um espírito havia se empenhado muito para libertar o Murillo e foi esse espírito quem direcionou no meu feed esse reels sobre o menino que tocava o sino. O espírito em questão era uma senhora idosa, ela conheceu o Murillo quando ele era vivo, ela era uma menina então, e gostava dele, tinha uma paixonite de adolescente.
Quando ele morreu e depois houve a história de cercar o túmulo com correntes ela na época achou que aquilo era o certo a se fazer, mas quando morreu há 23 anos ela encontrou o Murillo preso dentro do túmulo e desde então vinha tentando sem sucesso que ele fosse libertado. Conversei com o espirito da idosa e ela relatou ter ido em tudo quanto é local pedir a libertação do menino do túmulo, igrejas, terreiros, até em centro espíritas ela foi, em vários, mas disse que nem a escutavam. Até que ela soube por outros espíritos que nosso grupo libertava espíritos escravizados em fazendas e veio atrás de mim e depois como eu esqueci da minha esposa. Quando resgatamos o Murillo ela foi junto.
O trabalho poderia ser encerrado nesse ponto, mas fui atrás de querer saber o karma do menino para gerar uma morte de maneira tão específica, ser arremessado da torre da igreja. O nosso jovem Murillo numa vida passada aqui mesmo no Brasil foi um padre inquisidor que condenou a morte 25 pessoas, sendo que 18 delas morreram da maneira que ele mais gostava, foram jogadas do alto da torre da igreja. Dentre esses 18 que ele jogou da torre estava um menino indígena de 13 anos de idade que se recusou a adotar a fé cristã. Outra coisa que ele fazia era rezar para que os espíritos dos hereges ficassem presos no túmulo.
O pai daquele menino indígena nunca perdoou o padre e quando ele agora reencarnado como o jovem Murillo subiu na torre da igreja a proximidade desse espírito precipitou esse karma do menino e ele morreu do mesmo jeito que matava os hereges, e ainda depois dele morto esse mesmo espírito pai do menino indígena que o padre jogou da torre induziu as pessoas a colocarem a corrente ao redor do túmulo para aprisionar o espírito de Murillo, como ele fez com os hereges que condenou a morte e que ainda estavam todos presos em seus túmulos. Para finalizar o atendimento resgatamos as 25 pessoas mortas por heresia pelo Murillo que era padre na vida passada e os encaminhamos para reencarnação, juntamente com o pai do menino indígena e outros cerca de 350 indígenas que foram mortos pelos colonizadores naquele período. Essa é a história do menino que tocava o sino.



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