• Gelson Celistre

A emboscada

Durante uma viagem a cavalo na qual passavam por uma floresta, dois homens foram surpreendidos com a queda de seus cavalos e deles próprios, por conta de uma corda que foi esticada sobre a estrada para os derrubar. Em seguida dois outros homens pularam sobre eles, que foram dominados e roubados pela dupla de ladrões. Isso foi há muitos séculos na Europa, mas os quatro homens envolvidos nesse episódio se reencontraram recentemente numa estrada, só que dessa vez foram os ladrões que se deram mal.

A dupla de ladrões atualmente está encarnada como mãe e filho, e o filho dirigia o carro por uma rodovia federal, com imprudência pois estava numa velocidade um pouco alta para o local onde trafegava, e após uma curva se deparou com um engarrafamento, freou e o carro saiu da pista e se chocou de frente contra uma parede de rocha. O motorista não sofreu muitos danos, apenas um leve corte no joelho, mas a passageira que é sua mãe fraturou o pé.

O carro com o qual ele se deparou parado na pista após fazer a curva estava sendo dirigido por um dos homens que a dupla de ladrões roubou na emboscada na vida passada e o outro que também havia sido roubado está desencarnado e foi ele quem distraiu o motorista para que não se desse conta de que estava indo rápido demais, pois queria que ele se acidentasse.

Conversando com esse espírito que estava desencarnado perguntei porque ele quis provocar o acidente e ele respondeu que o motorista que se acidentou tinha feito raiva ao motorista da frente, e essa raiva ele usou para distrair o motorista que se acidentou. Disse que é a terceira pessoa que ele faz se acidentar naquela região, gosta de fazer isso, mas disse que é muito difícil de conseguir. Ele sabia que estava morto, só não tinha ideia que já fazia cerca de 50 anos pois ele morreu na década de 70 dirigindo um Corcel cor de creme da Chevrolet, de uma forma até parecida, ficou com raiva de outro motorista e tentou bater na traseira dele, mas perdeu o controle do carro e acabou morrendo.

O interessante é que esse espírito não tinha lembrança nenhuma de que já conhecia o motorista e o passageiro do veículo que se acidentou, e tampouco o rapaz que ficou com raiva do motorista. Mas assim é o karma, reencontram-se os mesmos atores numa situação semelhante e o boleto kármico vencido é executado e a dívida é cobrada. A princípio não há nada de anormal, não fosse o fato de que o motorista que se acidentou ser um cliente meu e que participou do meu Curso de Apometria no final de semana passada, explico.

O motorista que se acidentou já havia tentado participar do meu curso em novembro do ano passado, chegou até a pagar mas de última hora não apareceu e depois ficou vários meses sem me contatar. Recentemente ele voltou a nos procurar e como eu iria dar outro curso no final de semana passado o convidei a participar, já que no anterior ele pagou e não fez o curso, e dessa vez ele veio. Dois dias antes do acidente eu havia conversado com ele para que participasse do meu grupo uma vez por mês para se aprimorar e desenvolver sua mediunidade, então desconfiei de alguma ajuda para que esse karma dele fosse resgatado agora, pois com o carro na oficina ele não teria como vir participar do grupo pois mora em outra cidade há cerca de 100 km de onde eu moro.

Fizemos uma varredura e conseguimos encontrar um mago que estava envolvido no acidente e que foi o responsável pelo motorista não ter vindo no curso anterior. Numa vida passada ambos eram magos rivais e o que hoje é o motorista que se acidentou invadiu o castelo do outro mago com uma força armada, o prenderam, torturam para ele revelar seus segredos e o mataram, e o motorista ainda furtou os experimentos do outro mago. Esse mago não queria que o motorista participasse do curso e menos ainda que ele frequentasse meu grupo, pois não queria que o motorista se desenvolvesse e fortalecesse, pois ainda o via como um inimigo, um rival que não poderia ter mais poder do que ele.

Para finalizar o atendimento encaminhamos o espírito que provocava acidentes na estrada e também o mago rival do motorista. Um acidente de trânsito que tinha ligação com uma emboscada de séculos atrás; um karma que foi puxado para resgate por um mago que conseguiu reunir num mesmo local, ao mesmo tempo e em movimento, três pessoas encarnadas e uma desencarnada que tinham um karma em aberto.

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