• Gelson Celistre

A tragédia do palhaço

A magia do circo encanta a todos, pelo menos a mim encantou no início dos anos 80 quando fui com minha família pela primeira vez no circo, eu estava no início da adolescência, e o circo que estava de passagem pela minha cidade não era qualquer circo, era o Circo Orlando Orfei. O circo tinha de tudo, malabaristas, animais adestrados, trapezistas, globo da morte, atirador de facas, tinha até um espetáculo com águas dançantes, e é claro, os palhaços. Acho difícil uma criança ou adolescente assistir um espetáculo desses e não sonhar em ir embora com o circo.

Hoje em dia só vejo circos pequenos com poucas atrações e certamente não têm a mesma magia daqueles tempos, mas se o circo encantava as pessoas da minha geração, nossos pais também saíam maravilhados, imaginem essa magia de circo algumas décadas antes, passando por cidadezinhas onde as pessoas não tinham muitas perspectivas de futuro, e imaginem quantos jovens não sonharam em fugir dali com o circo. Essa história é de uma moça que teve coragem de realizar esse sonho.

Um circo passou por uma cidadezinha de Portugal e uma moça ficou encantada, sonhando em fugir do marasmo que era sua vida, onde iria se casar, ter filhos, viver para a família e morrer sem nunca sair dali, ela decidiu e teve coragem de fugir com o circo, sonhava em ser uma artista, e foi com um dos palhaços do circo que ela se enamorou, fugiu com ele deixando tudo para trás.

Mas fora do picadeiro nem tudo era alegria, a rotina era cansativa, os artistas trabalhavam muito e ganhavam pouco, a moça não tinha nenhum talento que pudesse ser usado em algum espetáculo, e logo ela se cansou do palhaço por quem havia se enamorado. Ela queria que o palhaço lhe comprasse roupas e outros mimos mas ele não ganhava o suficiente, se endividou pedindo dinheiro emprestado para tentar agradá-la, mas a moça não ficou satisfeita e passou a buscar atenção junto a outros artistas. Ela se sentiu enganada pelo palhaço.

Primeiro ela se envolveu com o domador, um homem grande e forte, mas depois foram os malabaristas, o mestre de cerimônia, e quando o palhaço descobriu ela já tinha se relacionado com todos os homens do circo. A vergonha foi muito grande para ele, que a confrontou, pediu explicações, brigaram, e ela ainda lhe disse que nem para fazer alguém rir ele prestava, que ele era um palhaço sem graça. Na manhã seguinte o palhaço fez sua última apresentação no picadeiro, se enforcando no mastro principal.

Mais de um século depois a moça está reencarnada e apesar de trabalhar e ter uma renda percebeu que tem feito gastos demasiados, gasta com coisas supérfluas, o dinheiro parece que não rende, e recentemente teve um sonho no qual "... Espreitei por uma grande janela ou abertura e vi uma caveira branca enorme energética, pura energia, não era osso nem cristal, era energia tipo nuvem, espreitei na janela seguinte e vi a caveira deitada de lado e por cima dela um palhaço com gola de tule e q sorria."

Sim o palhaço que ela viu em sonho é aquele por quem ela foi enamorada e que tirou a própria vida por causa dela. Na realidade a caveira era o palhaço, só que ele queria assustá-la, por isso apareceu como uma caveira, mas no fim ela conseguiu ver a imagem do palhaço. Ele se compraz fazendo ela gastar com bobagens, com coisas desnecessárias, para que ela tenha dificuldades financeiras. No astral ele criou um cenário onde a prendeu em uma casinha de bonecas e ele ficava do lado de fora olhando-a pelas janelas.

Nós desmanchamos o cenário que o palhaço criou, libertamos a moça da casinha de boneca e o palhaço teve sua mente apagada e foi encaminhado para reencarnação. Muitas vezes os sonhos só são bons porque não os realizamos, eles ficam num mundo imaginário e ilusório que criamos em nossa mente onde tudo é perfeito e acontece do jeito que sonhamos, mas quando se tenta realizá-los, nos deparamos com a realidade e aí o sonho pode se transformar num pesadelo.

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